Cabanagem

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A Cabanagem foi um dos movimentos mais sangrentos da história do Brasil.

Ocorrida no Pará durante o Período Regencial, a Cabanagem foi uma rebelião de cunho social extremamente violenta, um dos maiores conflitos da história do Brasil: estima-se que cerca de 30% de toda a população da província do Grão-Pará tenha morrido no episódio. O nome da revolta deriva do fato de que a maior parte dos revoltosos vivia em cabanas, às margens dos rios.

Entre as causas da Cabanagem, é possível apontar dois pontos. O primeiro deles era a extrema pobreza, miséria, fome e péssimas condições de vida da população, aspecto que atingia em cheio os mais necessitados. Além disso, a insatisfação das elites locais com as decisões e a forma relegada com que o governo regencial tratava os assuntos relacionados à província ajudava a criar um clima completo de revolta. Ávidos por uma maior participação nas decisões do governo, esses membros das elites fazendeiras se sentiam totalmente abandonados e menosprezados pelo Príncipe Regente.

Liderados por Antônio Vinagre, os cabanos ocuparam Belém em 1835 e proclamaram Clemente Malcher como novo presidente da província. Este, todavia, acabou traindo o movimento ao fechar acordos de interesses do governo central. Tal realidade levou a uma nova luta que resultou na deposição de Malcher e na proclamação de Eduardo Angelim como novo presidente.

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Eduardo Angelim

No entanto, a falta de um projeto de consolidação do novo governo enfraqueceu significativamente a mobilização, de forma que os revoltosos conseguiram permanecer no poder por apenas 10 meses. O governo central atacou impetuosamente os cabanos, tendo movido quatro navios para bombardear completamente a cidade de Belém. O resultado não poderia ser diferente: um verdadeiro massacre.

Diante do fim da Cabanagem e da vitória do governo, vários revoltosos fugiram e se esconderam no meio da selva. Não satisfeito, o brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréa, novo presidente do Grão-Pará, colocou seus homens para irem ao encalço dos cabanos fugitivos. Estes passaram a ser caçados como animais: havia quem achasse uma glória carregar colares de suas orelhas secas. Sem dúvidas, um dos mais sangrentos capítulos da história do Brasil.

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