Contrarreforma

Contrarreforma
Ilustração da sessão do Concílio de Trento, marco do início da Contrarreforma.

Após a eclosão da Reforma Protestante, a Igreja Católica passou a conviver com uma clara ameaça ao seu poder e soberania. De fato, toda a Inglaterra e a maior parte da Alemanha já haviam sido convertidas aos ideais do protestantismo. Além disso, a influência da fé católica estava em notório declínio em grande parte dos países europeus, como França, Hungria e Áustria. Com o intuito de retomar a posse de terras e bens da Igreja, muitos príncipes e membros da pequena nobreza passaram a apoiar o movimento protestante. Além disso, as ideias de Lutero contavam com a simpatia da burguesia, já que sua ética religiosa era muito mais adequada ao espírito capitalista.

A reação da Igreja Católica em virtude de todos esses acontecimentos foi o que chamamos de Contrarreforma, uma verdadeira corrida contra o avanço do protestantismo. O episódio que marcou o início do movimento foi o Concílio de Trento. Iniciado em 1545, o mesmo tinha o fim de fortalecer a autoridade do Papa e reafirmar as crenças e dogmas da Igreja Católica. Como os ideais protestantes foram muito difundidos por meio de livros, a Igreja proibiu seus fiéis de terem contato com tais obras, organizando um índice de livros proibidos, o chamado Index Libro Rum Prohibitorum.

Uma das principais medidas da Contrarreforma foi a criação da Companhia de Jesus, ordem religiosa que formava missionários (jesuítas) destinados à difusão do catolicismo pelas colônias da América, Ásia e África. A atividade educativa foi a principal ferramenta usadas pelos jesuítas para a propagação de sua fé. No Brasil, grande parte do sucesso das missões jesuíticas se deu em razão da adaptação dos costumes europeus católicos com as tradições e valores culturais indígenas.

Uma drástica medida tomada durante o movimento da Contrarreforma foi a reorganização da Santa Inquisição, antigo tribunal criado no século XII que julgava e punia os indivíduos acusados de heresia, isto é, aqueles que não seguiam os dogmas da Igreja Católica. As penas severas, desde a prisão até a condenação à fogueira, se mostraram capazes de efetivamente conter o avanço das ideias protestantes em países como Itália, Espanha e Portugal, embora a estratégia do medo não tenha funcionado muito bem em outras partes da Europa. Além disso, tal movimento provocou um deslocamento da burguesia, adepta ao Protestantismo, para regiões mais livres do continente, aspecto que resultou em uma fuga de capitais  e no empobrecimento dos países católicos.

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