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Avaliação da interdependência entre avanço tecnológico e desenvolvimento econômico e da influência da engenharia no delineamento da sociedade contemporânea

Autores: Jorge Marcelo Marson*; Jefferson de Sousa; Renato de Lima; Tiago Washington Camargos

RESUMO: A interdependência entre avanço tecnológico e desenvolvimento econômico e social é um fato que tem sido observado desde os primórdios da humanidade, ou seja, muito mesmo antes do conceito de nação e do surgimento da sociedade moderna, e marca a Engenharia talvez como a mais antiga das ciências e que mais contribuiu para a evolução e delineamento atual da humanidade. Este trabalho teve como objetivos mostrar que o crescimento econômico de um país e desenvolvimento tecnológico são atividades interdependentes, discutir a importância Engenharia no desenvolvimento de novas tecnologias que impulsionam o crescimento econômico, e, também, avaliar a relação do avanço industrial e econômico com os diferentes ramos da engenharia, a busca por mão-de-obra no mercado e sua influência nas faculdades de engenharia. Ao discutir o papel dos diferentes segmentos da Engenharia no desenvolvimento de tecnologias e no crescimento econômico de um país, concluímos que o caminho para o crescimento econômico prolongado de um país tem bases sólidas na Revolução Industrial, logo, para corrigir as desigualdades econômica e social entre países ricos e pobres é necessária a implantação de políticas voltadas para a diversificação da economia, o desenvolvimento tecnológico, e conseqüente ampliação dos parques industriais. O engenheiro é essencial no processo de crescimento econômico de um país, pois é o profissional que tem a função de criar tecnologias e as diferentes especializações da engenharia atuam em todos os setores da economia. Devido à interdependência entre crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico, a demanda por engenheiros varia de acordo com o ritmo de crescimento econômico de um país e a escassez desses profissionais pode ser um fator limitante do desenvolvimento econômico.

1. INTRODUÇÃO

Desde os princípios de sua existência, o homem distingue-se dos demais seres vivos pela sua maior capacidade de raciocínio lógico e de solucionar problemas, características que aceleraram seu processo evolutivo, até atingir o mais alto nível de complexidade biológica da História do planeta Terra.

A habilidade de construir e criar formas para facilitar o dia a dia das pessoas vem desde o período da Pedra Lascada e da Pedra Polida, quando o homem começou a produzir e utilizar as primeiras ferramentas e utensílios, e a desenvolver tecnologias para fabricação de instrumentos de caça e defesa. Com o passar do tempo, os conhecimentos foram se avolumando com base empírica, contribuindo para o constante desenvolvimento de novas tecnologias. No entanto, somente no século XVIII, com a Revolução Industrial, é que as mudanças bruscas na tecnologia e começaram a causar impacto no crescimento econômico dos países.

A Revolução Industrial foi responsável por inúmeras mudanças que podem ser avaliadas tanto por suas características negativas, quanto positivas. Alguns avanços tecnológicos causam maior conforto nas nossas vidas e por outro lado esses “confortos” ocasionam um grande impacto ao meio ambiente.

No atual contexto econômico, a produção industrial depende cada vez menos da mão-de-obra e cada vez mais de alta tecnologia, pois deve combinar novas técnicas com máquinas cada vez mais sofisticadas, a fim de produzir mais com menos recursos e menos mão-de-obra. Deste modo, há uma interdependência entre avanço tecnológico e o desenvolvimento econômico e social de um país.

2. OBJETIVOS

Este trabalho teve como objetivos: mostrar que o crescimento econômico de um país e desenvolvimento tecnológico são atividades interdependentes; discutir a importância dos diferentes ramos da engenharia no desenvolvimento de novas tecnologias que impulsionam o crescimento econômico; e, também, avaliar a relação do avanço industrial e econômico com os diferentes ramos da engenharia, a busca por mão-de-obra no mercado e sua influência nas faculdades de engenharia, uma vez que a escassez de profissionais pode ser um fator limitante do desenvolvimento econômico de um país.

3. JUSTIFICATIVA

De acordo com Landes (1969), somente após a Revolução Industrial é que as mudanças tecnológicas provocaram, de forma sistemática, impacto no crescimento econômico dos países e, desde então, tornaram-se o motor do desenvolvimento.

A mais importante fonte de crescimento de um país tem origem na tecnologia com base científica, nos domínios da eletricidade, da eletrônica, da combustão interna, da energia nuclear, da biologia, etc. Sob esse ponto de vista, deve haver uma parceria entre governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil, voltada para a qualidade, a tecnologia de ponta e uma competição criativa e inteligente, direcionada para o futuro. Neste contexto justifica-se uma discussão da interdependência entre crescimento econômico de um país, desenvolvimento tecnológico e os diversos segmentos da engenharia.

4. DESENVOLVIMENTO

4.1. O papel do engenheiro no crescimento econômico de um país

O crescimento econômico de um país requer a adoção de medidas que incentivem os investidores a levar recursos que estão aplicados no mercado financeiro para as atividades produtivas. É certo que o investimento em produção envolve um risco mais elevado que a aplicação no mercado financeiro, mas o retorno também é maior. Portanto, é necessário que os investidores sejam estimulados a aplicar seu dinheiro na expansão de indústrias existentes e na implantação de novos estabelecimentos industriais (DIMAS, 2002).

Conforme descrito por Vieira (2008), alguns estudos que dizem respeito ao desenvolvimento econômico dos países subdesenvolvidos afirmam categoricamente que o caminho para o crescimento econômico prolongado tem bases sólidas na Revolução Industrial. Logo, corrigir essa desigualdade econômica e social entre países ricos e pobres implica na implantação de políticas voltadas para a diversificação da economia, o desenvolvimento tecnológico, e conseqüente ampliação dos parques industriais.

No entanto, sem desenvolvimento tecnológico o crescimento industrial se resume a fazer do país um montador de peças prontas vindas do exterior. Apenas com o desenvolvimento tecnológico um país pode tornar-se efetivamente independente, do contrário, por exemplo, precisa desgastar seus recursos naturais e exportar toneladas de minério para pagar pelos chips que equipam os computadores e telefones celulares (DIMAS, 2002).

Uma teoria interessante com relação ao desenvolvimento tecnológico é a de Schumpeter , na qual a economia industrial evolui por meio da "destruição criadora", ou seja, quando um conjunto de novas tecnologias encontra aplicação produtiva, as tecnologias tradicionais são "destruídas", isto é, deixam de criar produtos capazes de competir no mercado e acabam sendo abandonadas. As idéias de Schumpeter permitem identificar os cinco ciclos - ou ondas - de inovação, das fábricas têxteis do século XVIII até a "era dos computadores" (Figura 1). Na fase inicial, ascendente, do ciclo, as novas tecnologias distinguem os empresários inovadores dos que continuam utilizando as tecnologias tradicionais. Os inovadores são "premiados" com elevadas taxas de lucros e erguem verdadeiros impérios empresariais. Na fase de estabilização, os lucros caem para patamares menores, pois a maior parte das empresas adotou o novo conjunto de tecnologias e a competição tornou-se mais acirrada. Finalmente, a fase descendente caracteriza-se por um excesso de oferta em relação à demanda. As tecnologias que inauguraram o ciclo tornaram-se, a essa altura, tradicionais e a queda acentuada dos lucros prenuncia mais uma ruptura na base técnica, que deflagrará novo ciclo (SCHUMPETER apud SKIDELSKY, 2007; SZMRECSÁNYI, 2002; MAGNOLI; ARAÚJO, 2008).


Figura 1: Ondas de inovação tecnológica da economia industrial. Fonte: Magnoli, Demétrio e Araújo, Regina, Projeto de Ensino de Geografia: natureza, tecnologia, sociedades. São Paulo, Moderna, prelo.

O engenheiro é o profissional que tem a função de criar processos e tecnologias para produção, e por isso sua colaboração é essencial no processo de crescimento econômico, visto que as diferentes especializações da engenharia atuam em todos os setores da economia, da agricultura às telecomunicações, e não se limita à indústria e à construção civil (DIMAS, 2002).

De um modo geral, o trabalho do engenheiro é aplicar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas, seja ajudando a desenvolver um novo tipo de aparelho para diagnosticar doenças, criando novas técnicas de irrigação para aumentar a produção de alimentos ou criando formas de facilitar as comunicações (DIMAS, 2002).

Atualmente, a função do engenheiro não se restringe apenas a de um inventor ou criador, mas tem sido estendida à de um empreiteiro, consultor, professor, administrador entre outras técnicas profissionais. Com essas mudanças, os ramos tradicionais da engenharia (como a civil, elétrica, eletrônica, mecânica, de minas, geológica, metalúrgica, produção e agrária) têm se subdividido cada vez mais, incluindo todas as esferas da vida e cada aspecto da sociedade. Entre as novas subdivisões da engenharia destacam-se a aeroespacial, bioengenharia, software, hardware, nuclear, ambiental, sistemas, química, farmacêutica, petroquímica, polímeros, têxtil, automotiva, telecomunicações, materiais, métodos, reservatório, túneis, naval, mecatrônica, urbana, social e financeira (SIDDIQUI, 2008).

4.2. Desenvolvimento tecnológico: Influência da Engenharia na evolução do homem e no desenvolvimento da sociedade moderna.

Um elemento constante da evolução do ser humano é sua capacidade de dar formas a objetos naturais e empregá-los para determinados fins (ALONSO, 2008), destacando-se entre os fatores marcantes de sua evolução e que certamente influenciaram no desenvolvimento das tecnologias primitivas: a descoberta da alavanca; o domínio do fogo; o polimento das pedras; e o cozimento dos alimentos (ALONSO, 2008).

Estima-se que as mais antigas ferramentas foram fabricadas há cerca de 1.750.000 anos pelos habitantes da Tanzânia (ALONSO, 2008). No entanto, somente por volta de 4.000 a.c. é que houve uma revolução técnica que provocou grandes mudanças culturais, basicamente pela introdução da agricultura, da domesticação do animais, da modelagem cerâmica e da fabricação do vinho e da cerveja. Nesta fase, acredita-se que certas ferramentas já eram produzidas em fábricas rudimentares e distribuídas em algumas regiões como a Grã-Bretanha (HISTÓRIA DE TUDO.COM, 2007; ALONSO, 2008).

Por volta do ano 2.000 a.c., mais ou menos junto com a invenção do alfabeto para a escrita e a numeração, o homem passa a utilizar o processo de fundição dos metais, sendo que os Etruscos (península itálica) já fundiam o ferro com alguma perfeição. Ainda nesta época temos o desenvolvimento da arquitetura, a invenção da roda, e a construção das primeiras máquinas simples, descobertas que influenciaram na transformação das antigas sociedades rurais patriarcais, levando ao surgimento das primeiras povoações, com a formação de pequenas vilas e cidades governadas. Como resultado dessas conquistas os homens passaram a produzir mais do que necessitavam para seu próprio consumo, assim, começaram as disputas para ver quem ficava com esse excedente. Os vencedores enriqueciam ao se apropriar das terras e dos bens dos vencidos, que ficavam mais pobres (ALONSO, 2008; HISTÓRIA DO MUNDO.COM, 2008).

Com esta nova organização social, o homem começou a dedicar-se a novas descobertas e a realizar grandes obras, tais como a utilização pelos egípcios do papiro para a escrita, a canalização do rio Nilo para irrigação, o desenvolvimento das técnicas de construção de navios pelos povos do Mediterrâneo e da Escandinávia, sistema subterrâneo de fornecimento de água em Jerusalém, a publicação do primeiro manual de matemática na China, as Pirâmides de Gizé em 2.600 a.c., entre outras (ALONSO, 2008).

Ao longo dos séculos, novas descobertas foram feitas e os conhecimentos foram se avolumando, sempre com base empírica. Contudo, praticamente por toda a fase inicial da evolução da humanidade, as descobertas técnicas eram tidas como presentes dos deuses ou privilégio de alguns, sendo transmitidas apenas aos escolhidos por eles (ALONSO, 2008).

Um marco importante para a quebra deste paradigma e para a disseminação da ciência e das técnicas de produção foi estabelecido em 1450 por Johannes Glensfleisch Gutenberg, com a criação dos tipos móveis para composição gráfica, o que levou a uma nova dinâmica no progresso intelectual e uma maior rapidez na disseminação dos conhecimentos. Neste novo contexto, com rápida expansão e difusão dos conhecimentos científicos, começaram a surgir os engenheiros modernos, ou seja, especialistas que se ocupavam em construir dispositivos, estruturas, processos e instrumentos voltados para a resolução de problemas práticos (ALONSO, 2008).

A engenharia se estrutura, principalmente com o desenvolvimento da matemática e da explicação de fenômenos físicos, até chegar no século XVIII a um conjunto sistemático e ordenado de doutrinas, sendo este ponto o marco divisório entre a Engenharia do Passado e a Engenharia Moderna, que se caracteriza pela aplicação generalizada dos conhecimentos científicos à solução de problemas (ALONSO, 2008).

4.2.1. Avanços tecnológicos nas Revoluções Industriais e seus reflexos na evolução e desenvolvimento sociais

A tecnologia, tal como hoje é entendida, só apareceu há cerca de 400 anos, mas tomou corpo apenas com a Revolução Industrial, quando se notou que tudo o que era construído pelos homens poderia sê-lo usando os princípios básicos da ciência (ALONSO, 2008).

A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, em meados do século XVIII, e constituiu um marco significativo na História do mundo ocidental por ser considerado o ponto de partida de uma série de mudanças no cotidiano moderno. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna ocorre a mecanização dos sistemas de produção (VIEIRA, 2008; SUA PESQUISA.COM, 2008; SOUSA, 2007).

A invenção de máquinas e mecanismos como a lançadeira móvel, a produção de ferro com carvão de coque, a máquina a vapor, a fiandeira mecânica e o tear mecânico causaram uma revolução produtiva, e com a invenção dos navios e locomotivas a vapor acelerou-se a circulação das mercadorias. A aplicação da força motriz às máquinas fabris proporcionou maior velocidade ao processo de transformação da matéria-prima e, desse modo, a mecanização se difundiu na indústria têxtil e na mineração. Por conseguinte, as fábricas passam a produzir em série e surge a indústria pesada (aço e máquinas). A introdução de máquinas fabris multiplicou o rendimento do trabalho e aumentou a produção global. Neste período, a Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial (PORTAL BRASIL ESCOLA.COM, 2008).

Os efeitos da substituição na manufatura pela maquinufatura trouxeram uma carga hereditária ostensiva para a vida em sociedade. Deste ponto, surgiram revoluções na demografia, na agricultura, no comércio, nos transportes e principalmente nos princípios empresariais de administração com relação à inovação da produtividade (VIEIRA, 2008; SUA PESQUISA.COM, 2008).

Com o passar do tempo, as formas de atuação do capitalismo industrial ganhou outras feições. Na segunda metade do século XIX, a eletricidade, o transporte ferroviário, o telégrafo e o motor a combustão deram início à chamada Segunda Revolução Industrial. A partir daí, os avanços capitalistas ampliaram significativamente o seu raio de ação. Nesse mesmo período, nações asiáticas e africanas se inseriram nesse processo com a deflagração do imperialismo (ou neocolonialismo), capitaneado pelas maiores nações industriais da época (SOUSA, 2007).

Durante o século XX, outras novidades trouxeram diferentes aspectos ao capitalismo. O industriário Henry Ford e o engenheiro Frederick Winslow Taylor incentivaram a criação de métodos onde o tempo gasto e a eficiência do processo produtivo fossem cada vez mais aperfeiçoados. Com isso, surge a necessidade de qualificação de novos profissionais envolvidos nos processos produtivos, tendo origem os primeiros cursos de administração e engenharia industrial (ALONSO, 2008).

As Revoluções Industriais proporcionaram fortes mudanças no panorama mundial, pois, com o advento de novas tecnologias, a ausência de especialização na operação industrial desencadeou a estagnação e a pobreza para os operários e fonte de lucro para empresários, marcando a divisão entre beneficiados e beneficiadores. Logo, criou-se uma nova “Era Econômica”, na qual há uma disparidade gritante entre os padrões de vida dos habitantes dos países ricos e os padrões predominantes nos países subdesenvolvidos ou atrasados, que se deve essencialmente ao fato de os primeiros se industrializaram e últimos não (VIEIRA, 2008).

Na metade do século XX, com o advento da pesquisa operacional, a engenharia industrial recebe uma grande influência, com o emprego do método científico na modelagem e otimização de problemas, principalmente logísticos (2ª Guerra Mundial), e com a introdução gradual da informática nas universidades e empresas, forma-se o núcleo base da Engenharia Industrial (ALONSO, 2008).

No Brasil, o forte processo de industrialização e a instalação das primeiras indústrias automobilísticas na região do ABC paulistano propiciaram o início do curso de Engenharia de Produção em 1959 pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (ALONSO, 2008).

Logo após a Segunda Grande Guerra, a economia internacional começou a passar por profundas transformações, que caracterizam a Terceira Revolução Industrial. Esta difere das duas anteriores, uma vez que engloba mudanças que vão muito além das transformações industriais. Essa nova fase apresenta processos tecnológicos decorrentes de uma integração física entre ciência e produção, também chamada de revolução tecnocientífica (DECICINO, 2008). Nela, a rápida integração dos mercados, a informática, a microeletrônica e a tecnologia nuclear seriam suas principais conquistas (SOUSA, 2007).

Segundo Decicino (2008), nesta nova Revolução Industrial, os avanços da robótica e da engenharia genética são incorporados ao processo produtivo, que depende cada vez menos da mão-de-obra e cada vez mais de alta tecnologia, pautada por um princípio básico: a produção deve combinar novas técnicas com máquinas cada vez mais sofisticadas, a fim de produzir mais com menos recursos e menos mão-de-obra.

4.3. Influência do crescimento econômico no mercado de trabalho

Com o atual quadro de estabilidade política, o Brasil reencontrou o caminho do crescimento econômico e já vem demonstrando reflexos sociais como redução da pobreza, maiores níveis de alfabetização e capacitação profissional, e redução do desemprego.

Depois de anos de vaivém, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva projeta um período de crescimento contínuo, com o produto interno bruto aumentando 5% ao ano de agora até 2010 e entre 3% e 4% ao ano durante a década seguinte. Mas muitas companhias e economistas, inclusive alguns setores do governo, dizem que a falta de mão-de-obra altamente qualificada, principalmente engenheiros e executivos, irá prejudicar esses objetivos e o crescimento econômico e político do Brasil (DOWNIE, 2008; COLLIT; EXMAN, 2008).

Devido ao fato de os profissionais dos diferentes segmentos da Engenharia estarem diretamente envolvidos com as construções, instalações, máquinas e tecnologias, a demanda desses profissionais varia positivamente com a chamada taxa de investimentos em capital fixo da economia, medida como proporção do produto interno bruto (PIB). Por sua vez, esses profissionais ampliam a economia na sua capacidade de produzir mais bens e serviços, ao mesmo tempo em que geram rendimentos que aumentam a demanda pela produção assim ampliada, movimentos esses que contribuem para o crescimento do PIB. Portanto, a maior demanda de engenheiros sinaliza um aumento da taxa de investimentos, o que é bom para a economia (MACEDO, 2007).

Segundo Cardoso (2008), há uma revolução em curso no Brasil, na qual a mão-de-obra especializada, recém-formada e capacitada por uma universidade competente nunca foi tão requisitada pelo mercado de trabalho. Esse exemplo de movimentação histórica é perceptível no maior pólo formador de engenheiros, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde quase a totalidade dos alunos que se formaram no ano de 2007 tinha propostas de trabalho ou já estava empregada, e os poucos que ainda não estão no mercado levarão um ou dois meses para ingressar nele. Este dado mostra um salto tremendo, uma vez que até três anos atrás esse número era de 70% e a colocação do restante demorava seis meses. Esse aumento na demanda fez o salário médio do engenheiro saltar de R$ 1,2 mil, em 2006, para os atuais R$ 4,5 mil (CARDOSO, 2008; SEESP, 2008).

De acordo com Macedo (2007), o Brasil descuidou da formação de engenheiros, pois estatísticas educacionais mostram que, de um modo geral, a procura por cursos de engenharia diminuiu relativamente às vagas disponíveis e, na civil, o número de formados caiu em várias escolas. Mesmo com a ampliação dos cursos mais ligados à evolução da tecnologia moderna, como a eletrônica, o fato é que a engenharia havia caído na preferência dos estudantes.

Como está difícil encontrar engenheiro experiente no mercado, as empresas passaram a contratar profissionais recém-formados e treiná-los. De acordo com dados da CNI, 84% das empresas industriais estão investindo em programas de capacitação (CARDOSO, 2008; NOBRE, 2008).

Como reflexo de uma economia que não pára de produzir bons resultados (como o crescimento acima da média histórica, a inflação controlada e reservas internacionais suficientes, pela primeira vez, para quitar a dívida externa) alguns setores pegaram carona nesse eldorado de oportunidades e crescem a galope. Em algumas áreas, como engenharia civil, agronegócio, tecnologia da informação e mercado financeiro, não há gente capacitada para atender à demanda. Por isso, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 90 mil vagas formais não foram preenchidas em 2007, apesar de nove milhões de brasileiros estarem em busca de emprego (CARDOSO, 2008; COLLIT & EXMAN, 2008; CREAPB, 2008).

Desde 1980, quando o Banco Nacional da Habitação estava à plena carga, a construção civil não atingia índices de crescimento tão fulgurantes como os atuais (estima-se em 10% o crescimento para este ano), como conseqüência desse desempenho turbinado pela facilidade de crédito imobiliário, engenheiro civil é um profissional raro no mercado (CARDOSO, 2008).

Diferentemente da engenharia civil, que nos anos 80 e 90 viveu sua "fase perdida", com engenheiros desempregados, o setor de tecnologia da informação (TI) emprega toda a mão-de-obra recém-formada há 20 anos. Enquanto o engenheiro civil daquela época emendava um curso atrás do outro após a graduação, já que não encontrava emprego, ou, em atitude extrema, não concluía a faculdade propositalmente para continuar no mercado como estagiário (o único cargo disponível no setor), os profissionais da computação já nadavam de braçada na bonança da profissão. Tanto que, para tentar atender o mercado, que hoje cresce aproximadamente 15% ao ano, o número de cursos de computação passou de 300 em 1996 para 1,5 mil em 2007 (CARDOSO, 2008).

Hoje, um milhão de pessoas estão empregadas em TI no Brasil e a relação candidato por vaga no setor é de um para um. Contudo, até 2010, haverá a necessidade de 100 mil novos profissionais para dar conta do setor (CARDOSO, 2008).

Segundo (CARDOSO, 2008), Jovens talentos recém-graduados em uma faculdade renomada de TI são disputados e conseguem emprego até mesmo em grandes pólos da profissão, como o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), ou a China, que patrocina feiras ao redor do mundo para atrair profissionais.

4.4. Brasil: crescimento econômico estimula obras de infra-estrutura

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro de 2007, gira em torno de ambiciosos investimentos de R$ 503,9 bilhões (de capital público e privado) em infra-estrutura energética e logística. O fato é que o Brasil transformou-se num grande canteiro de obras, pois, de acordo com dados oficiais, das 2120 obras do PAC, 87% já estão em ritmo acelerado de execução, mais de R$ 10 bilhões já foram investidos e 88 já foram concluídas. Entre as obras do PAC, destacam-se o trevo sul do Rodoanel de São Paulo, o canal do Sertão Alagoano e as eclusas da usina hidrelétrica de Tucuruí (COSTA, 2008).

Com o Rodoanel de São Paulo espera-se retirar da região metropolitana todo o transporte de carga, e com a conclusão do trecho sul, estima-se que haverá uma redução de 43% no movimento de caminhões na Marginal Pinheiros, o que representa aproximadamente 250 mil veículos a menos por dia. O canal do Sertão Alagoano, com 97,5 km, captará água do rio São Francisco para abastecimento humano e animal, agricultura irrigada e piscicultura, com o objetivo de melhorar o nível de vida da população de 42 municípios beneficiados. A construção das duas eclusas da usina hidrelétrica de Tucuruí, com investimento previsto de R$ 548 milhões, permitirá o tráfego de embarcações e o transporte de até 22 mil toneladas de carga por via fluvial. Esta obra, certamente servirá de incentivo para o desenvolvimento econômico no Vale do Tocantins-Araguaia, contribuído para a geração de empregos na Amazônia e no Centro-Oeste (COSTA, 2008).

Outro grande investimento é o de R$ 438 milhões no superporto da cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde está sendo construído o primeiro dique seco de grande porte do país. Ao entrar em atividade em setembro de 2009, o dique seco (com 16,5 metros de altura, 350 metros de comprimento e 130 de largura) servirá para a montagem e o reparo de plataformas submarinas e deverá gerar 1,2 mil empregos (COSTA, 2008).

Além do pólo naval de Rio Grande, a Petrobras fará investimentos na ampliação da frota de petroleiros, e na construção de gasodutos. A estatal banca também a construção da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em Itaboraí, cuja refinaria vai processar 150 mil barris de petróleo por dia. Até 2010, a Petrobrás investirá R$ 5,5 bilhões no Comperj, que será a maior obra já vista no Rio de Janeiro nas últimas décadas, e certamente terá impacto na vida dos três milhões de habitantes daquela região, onde estima-se que serão gerados 210 mil empregos diretos e indiretos (COSTA, 2008).

Há destaque nos investimentos em rodovias, ferrovias, habitação e saneamento, com inúmeras ações distribuídas por todo o país, que recentemente passaram a ser monitoradas por satélite. Uma das obras prioritárias é a duplicação da rodovia BR-101 de norte a sul do país, que já se encontra em fase mais adiantada nos trechos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e conta com investimentos totais de R$ 1,2 bilhão até 2010 (COSTA, 2008).

5. CONCLUSÕES

1. A interdependência entre avanço tecnológico e desenvolvimento econômico e social é um fato que tem sido observado desde os primórdios da humanidade, ou seja, muito mesmo antes do conceito de nação e do surgimento da sociedade moderna, e marca a Engenharia talvez como a mais antiga das ciências e que mais contribuiu para a evolução e delineamento atual da humanidade.
2. O caminho para o crescimento econômico prolongado de um país tem bases sólidas na Revolução Industrial. Logo, corrigir as desigualdades econômica e social entre países ricos e pobres implica na implantação de políticas voltadas para a diversificação da economia, o desenvolvimento tecnológico, e conseqüente ampliação dos parques industriais.
3. O engenheiro é essencial no processo de crescimento econômico de um país, pois é o profissional que tem a função de criar tecnologias e as diferentes especializações da engenharia atuam em todos os setores da economia.
4. Devido ao fato de os profissionais da engenharia estarem diretamente envolvidos com as construções, instalações, máquinas e tecnologias, a demanda por engenheiros varia de acordo com o ritmo de crescimento econômico de um país e a escassez desses profissionais pode ser um fator limitante do desenvolvimento econômico.

6. REFERÊNCIAS

ALONSO, R. História da engenharia. Um toque de motivação, jun. 2008. Disponível em: <http://www.umtoquedemotivacao.com/administracao/historia-da-engenharia>. Acesso em: ago. 2008.

CARDOSO, R. Contratados desde a faculdade: Crescimento econômico amplia procura de mão-de-obra e garante emprego antes da formatura. ISTO É, 2008. Disponível em: <http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2002/artigo74936-1.htm>. Acesso em: set. 2008.

COLLIT, R.; EXMAN, F. Falta de trabalhadores qualificados freia crescimento. Abril.com, 19 ago. 2008. Disponível em: < http://www.abril.com.br/noticias/brasil/2008-08-19-85714.shtml>. Acesso em: 30 ago. 2008.

COSTA, O. O canteiro de obras do PAC: construções como o canal do sertão alagoano, o rodoanel de São Paulo e as eclusas de Tucuruí mostram um programa que começa a sair do papel. Isto É, n. 2018, p. 38-42, jul. 2008.

CREAPB. Crescimento da economia aquece mercado para engenheiros no Brasil. CREAPB, João Pessoa, 28 jul. 2008. Disponível em: < http://creapb1.helpdeskintegrativa.com.br/noticias.jsp?id=756>. Acesso em: 27 ago. 2008.

DECICINO, R. Terceira Revolução Industrial: Atividades empregam alta tecnologia. UOL Educação - Geografia, 09 abr 2008. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/geografia/terceira-revolucao-industrial-tecnologia.jhtm>. Acesso em: set 2008.

DIMAS, P. Engenheiros apostam no crescimento: Profissão deve ganhar importância com mudança de investimentos do mercado financeiro para o setor produtivo. Sindicato Mercosul, Volta Redonda, dez. 2002. Disponível em: < http://www.sindicatomercosul.com.br>. Acesso em: ago. 2008.

DOWNIE, A. Procura-se mão-de-obra especializada para uma economia em crescimento no Brasil. The New York Times, New York, jul. 2008. Disponível em: < http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2008/07/02/procura_se_
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HISTÓRIA DO MUNDO.COM. Idade dos Metais. Portal Brasil Escola.com, 2008. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/pre-historia/idade-metais>. Acesso em: set. 2008.

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*Biomédico e Mestre em Medicina Tropical e Infectologia pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro e Acadêmico de Engenharia Elétrica pela Universidade de Uberaba. E-mail: wushu_jmmarson@yahoo.com.br.

 

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